oi, ana, cê ta boa?
quanto tempo, menina.
é, desde que rodrigo morreu, né?
pois é.
como cê tá?
fiquei sabendo que sua sobrinha tá morando com você.
é.
a mãe dela morreu,
ela não tinha ninguém, levei lá pra casa.
lá é muito grande.
e ficou ainda maior depois que rodrigo se foi.
ela tem 22 anos, né?
é.
e ela te ajuda?
paga contas, arruma casa, essas coisas?
ô se ajuda!
minha pensao do rodrigo é de 3700.
pois tô devendo 19 mil de crédito consignado.
meu deus, ana!
como foi isso?
uai, a menina disse que queria fazer trabalho em casa na pandemia mas precisava de um computador.
tirei um de sete mil.
depois, disse que tinha uma amiga vendendo uma moto baratinha e que seria bom pra ela fazer entregas.
peguei cinco mil e paguei a bendita moto.
aí disse que uma outra amiga tinha falado que estampar camisetas tava dando o maior dinheiro.
adivinhe?
a amiga tava vendendo os trem de estampar dela.
lá se foi mais cinco mil.
e dois mil de camisetas da melhor malha.
e até hoje ela não se firmou em nada.
nunca ganhou um centavo.
fica no quarto vendo televisão,
sai, almoça, janta e deixa os pratos em cima da pia.
se a escrava aqui quiser coisa limpa - e você sabe como sou com limpeza -, que lave.
agora te pergunto: eu, com 47 anos, bonitona, paquerada, mereço isso?
tenho nem coragem de levar um homem lá em casa.
menina de deus!
que cê vai fazer?
uai, esperar a morte chegar.
pra mim ou pra ela.
e com os tipinhos que ela anda, deve ser pra ela.
tchau que lá vem meu ônibus!
tchau amiga!
que deus te abençoe muito!
amém e muuuuito amém!!!
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