sexta-feira, 29 de novembro de 2024

max

 eu e max somos amigos.

na verdade, ele é meu alter ego.
faz comigo o que faço com neide e gabriel.
explico.
somos pessoas inquisidoras, chatas e que não passamos panos pra bobice.
daí que ele me pergunta: "uma viagenzinha pra porto seguro, logo ali e você faz parecer que foi uma turnê pela europa ou emirados árabes!"
rio.
e retruco.
vou tentar reproduzir aqui o que disse.
evidentemente sem dar nomes aos bos tauros e sem usar os palavrões e o politicamente incorreto usuais em minhas conversas.
quando era garoto, adorava quando meu padrinho nos levava pra setes lagoas, pra casa de um primo dele que disseram depois ser o zacarias dos trapalhões.
lá haviam pés de um punhado de frutas e galinhas, patos, quintal grande.
mas, pra mim, o que valia era a kombi marrom e branca cheia e a estrada e as músicas do grupo de jovens da igreja de são josé.
só ia quem fosse à missa das seis.
crescendo, fui descobrindo as viagens pra raposos nos fins de semana e à sede do sesc, em venda nova.
sim, era uma viagem.
adolescente, meu amigo telmo se mudou pra sabará, arrumei uma namoradinha lá e perdia o ônibus de propósito pra dormir na sala da casa dela.
não raro, havia uma visitinha noturna com a gente coisando silenciosamente.
um dia fui convidado pelo patrão pra ir à bienal do livro, em são paulo.
de avião!
bate e volta.
fiquei uma semana sem dormir.
e no dia, nada comi, com medo de ter de usar o saco de vomito, conforme vira no cinema.
na volta, trouxe a maletinha de acepipes da vasp pro gabriel.
e guardo as passagens até hoje.
e fiquei uma semana falando disso nos ouvidos da vera.
quando fui pra tv, nas férias, pegava o cometa pra são paulo, cidade pela qual me apaixonara desde a novela beto rockefeller. pouca grana.
ora ficava na casa de amigo, ora nos hotéis perto da futura cracolândia.
ipiranga, são joão, conselheiro nébias e tal.
nos anos 80, finalzinho, comecei a me preparar pra grande viagem: nova york e arredores.
me candidatei simultaneamente a vereador, na época.
não me importava tanto se ganhasse.
imagine só!
queria baixar na times square, harlem, soho, quinta avenida, madison, empire state, ilha de ellison, greenwich village, central park, broadway, os museus, incluido o moma, rockefeller center, atravessar a ponte do brooklin de bike, sentar no banco debaixo da ponte do brooklin onde tony manero contou seus sonhos pra stephanie; enfim, um sonho acalentado anos e anos, com a ajuda de hollywood e livros diversos.
eis que um acontecimento fortuito, alheio à minha vontade, botou tudo abaixo.
o sonho esvaneceu como fumaça diante de uma ventania.
e sem chance de acontecer hoje em dia ou nunca.
vida que segue.
foi meu ultimo sonho.
daí que, entrar num avião em confinas e descer em porto seguro, joão pessoa, rio de janeiro, são paulo, agora podendo ficar num quatro estrela, me acalenta.
mesmo com o pacote da decolar sendo pago em 12 vezes.
e me faz feliz e falastrão sobre a viagem.
mesmo que seja logo ali, na bahia, por um tempão.
quem não tem colírio, usa óculos escuros.
quem não vê alegria nas pequenas coisas, já morreu.
eis-me aqui!
acho que max enxugou uma furtiva lagrima.

terça-feira, 19 de novembro de 2024

 subi pra garagem a mode pegar minha mochila pra lavar, visto que vou viajar na quinta.

chegando lá, vi que a plantinha despretensiosa que plantei numa privada, que resolvi usar como vaso de flor, floriu toda com a chuva.
não a conheço e uso o aplicativo identificador de plantas.
é beldroega, comestível e santo remédio.
lembro de passar cera nos plásticos externos do carro de minha mulher ao vê-lo.
trombo com os dois esguichos de para-brisas que comprei na shopee e não instalei ainda.
vou pegar ferramentas.
a cera deu outra vida pros plásticos.
troco os esguichos.
quero testá-los mas não trouxe a chave do carro.
rego os pés de couve e hortelã, que ficam ao abrigo da chuva.
aquele novo varal é bom mas esta muito junto do pilar.
pode se esgarçar com o atrito.
pego um pedaço de flanela e prego no pilar, separando varal da parede de cimento.
acho que estão batendo no portão, visto estar esperando uma encomenda.
abro o portão.
a chuva depositou poeira na entrada.
pego a vassoura e limpo todo o passeio.
quando volto, vejo que esqueci o capô aberto.
e noto que a churrasqueira tá cheia de folhas.
pego o aspirador e limpo tudo.
epa, tá na hora de preparar o almoço!
começo a descer a escada e vejo uma escova de sapatos bem no inicio.
é com ela que vou limpar a mochi...
AH, A MOCHILA COM QUE VOU VIAJAR!!!
volto e a pego.
não sem antes, ao fechar o capô, notar que o reservatório de água esta vazio e enche-lo.
mas dessa vez, me lembrei da mochila.
ufa!

terça-feira, 12 de novembro de 2024

 criança.

eu não tive pai.
nem casa, nem televisão ou rádio.
nem brinquedos.
nem uma bicicleta ou boa alimentação.
mas desse tempo, o que sinto é não ter tido aquela foto na mesa com o nome da escola quando a gente terminava a 4a série.
e não ter estudado no segundo grau.
Pode ser uma imagem de 1 pessoa



ídolos

 sim, ja tive ídolos.

e os tenho ainda.
nenhum de cinema, música, futebol, esportes em geral.
sempre gostei daquelas pessoas que, como diz o poema de bertolt brecht:
"hay hombres que luchan un dia y son buenos.
hay otros que luchan un año y son mejores.
hay quienes luchan muchos años y son muy buenos.
pero hay los que luchan toda la vida:
esos son los imprescindibles."
e esse tipo de gente só se encontra entre, na maioria das vezes, intelectuais.
escritores, principalmente.
aprendi muito sobre humanismo com kut vonnegut, aprendi a ser preto com abdias do nascimento, james baldwin, birago diop, haroldo costa, stokely carmichael e angela davis.
aprendi a escrever com ivan lessa.
aprendi a procurar os bons autores com paulo francis, sergio augusto, ruy castro, sendo eles grandes autores.
os escritores foram meu pai, me orientaram, me fizeram pensar, discernir, escolher, fazer e acreditar em mim.
beatles, caetano, james brown, pink floyd, led zeppelin, john coltrane, miles davis, roberto carlos, tom jobim, charlie parker, joão gilbeto, spinners, john carlos e tommie smith, garrincha , fio maravilha, muhammad ali; sempre vão estar em meus pensamentos, palavras, obras e pendrives e cds.
mas os dalton trevisan, steinbeck, tchecov, os aludidos na abertura e mais salinger, rosa, roth, hemingway e tantos outros, é que vou levar pro crematório.
quiçá, pro paraíso!
(gargalhadas.)
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Todas as r