sexta-feira, 11 de agosto de 2023

 cê lembra?

a gente saia de alguma reunião na fafich, passava no comitê do pecebão
à mode pegar santinhos do arutana cobério, na rua são paulo.
depois passadinha no apê do baku, lá no lourdes, onde sempre tinha uma boa maconha e a gente podia transar no segundo quarto e discutir com ele e quem mais estivesse lá, diferenças entre o pecebão e o pt, ainda bebê.
mais tarde, descíamos a pé até o centro.
na entrada do maletta comprávamos a folha.
olhávamos com nojo pro globo, estado de minas e estadão.
e com simpatia pro diário da tarde, onde tínhamos amigos e sabíamos da luta pra driblar armandos falcões mineiros.
tínhamos em geral o suficiente pruma brahma e um copo de uma pinga branca lá no lua nova.
falávamos sobre meu casamento e o seu.
a gente não tava gostando de sermos casados.
coisa estranha, né?
tão recentes os dois.
e comentávamos as matérias da folha.
aqueles caras nos ensinaram muito. principalmente cultura e política.
pois ce precisa ver o que a folha virou.
prá se ter uma ideia, sou assinante do globo, imagine?
numa licença poética macabra, eu quase digo que ainda bem que você subiu antes do combinado.
não sei se você aguentaria ver o hoje aqui. me tornei meio hater de internet pra xingar essa gente suja.
nem sei se os atinjo.
mas é a minha guerrilha atual.
tenho muita saudade de você.

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