eu e max somos amigos.
na verdade, ele é meu alter ego.
faz comigo o que faço com neide e gabriel.
explico.
somos pessoas inquisidoras, chatas e que não passamos panos pra bobice.
daí que ele me pergunta: "uma viagenzinha pra porto seguro, logo ali e você faz parecer que foi uma turnê pela europa ou emirados árabes!"
rio.
e retruco.
vou tentar reproduzir aqui o que disse.
evidentemente sem dar nomes aos bos tauros e sem usar os palavrões e o politicamente incorreto usuais em minhas conversas.
quando era garoto, adorava quando meu padrinho nos levava pra setes lagoas, pra casa de um primo dele que disseram depois ser o zacarias dos trapalhões.
lá haviam pés de um punhado de frutas e galinhas, patos, quintal grande.
mas, pra mim, o que valia era a kombi marrom e branca cheia e a estrada e as músicas do grupo de jovens da igreja de são josé.
só ia quem fosse à missa das seis.
crescendo, fui descobrindo as viagens pra raposos nos fins de semana e à sede do sesc, em venda nova.
sim, era uma viagem.
adolescente, meu amigo telmo se mudou pra sabará, arrumei uma namoradinha lá e perdia o ônibus de propósito pra dormir na sala da casa dela.
não raro, havia uma visitinha noturna com a gente coisando silenciosamente.
um dia fui convidado pelo patrão pra ir à bienal do livro, em são paulo.
de avião!
bate e volta.
fiquei uma semana sem dormir.
e no dia, nada comi, com medo de ter de usar o saco de vomito, conforme vira no cinema.
na volta, trouxe a maletinha de acepipes da vasp pro gabriel.
e guardo as passagens até hoje.
e fiquei uma semana falando disso nos ouvidos da vera.
quando fui pra tv, nas férias, pegava o cometa pra são paulo, cidade pela qual me apaixonara desde a novela beto rockefeller. pouca grana.
ora ficava na casa de amigo, ora nos hotéis perto da futura cracolândia.
ipiranga, são joão, conselheiro nébias e tal.
nos anos 80, finalzinho, comecei a me preparar pra grande viagem: nova york e arredores.
me candidatei simultaneamente a vereador, na época.
não me importava tanto se ganhasse.
imagine só!
queria baixar na times square, harlem, soho, quinta avenida, madison, empire state, ilha de ellison, greenwich village, central park, broadway, os museus, incluido o moma, rockefeller center, atravessar a ponte do brooklin de bike, sentar no banco debaixo da ponte do brooklin onde tony manero contou seus sonhos pra stephanie; enfim, um sonho acalentado anos e anos, com a ajuda de hollywood e livros diversos.
eis que um acontecimento fortuito, alheio à minha vontade, botou tudo abaixo.
o sonho esvaneceu como fumaça diante de uma ventania.
e sem chance de acontecer hoje em dia ou nunca.
vida que segue.
foi meu ultimo sonho.
daí que, entrar num avião em confinas e descer em porto seguro, joão pessoa, rio de janeiro, são paulo, agora podendo ficar num quatro estrela, me acalenta.
mesmo com o pacote da decolar sendo pago em 12 vezes.
e me faz feliz e falastrão sobre a viagem.
mesmo que seja logo ali, na bahia, por um tempão.
quem não tem colírio, usa óculos escuros.
quem não vê alegria nas pequenas coisas, já morreu.
eis-me aqui!
acho que max enxugou uma furtiva lagrima.
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